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terça-feira, 7 de abril de 2015

Espaço OBA - Aula 1

Clique para ver em tela cheia.



















Videos indicados no espaço OBA

Vídeos são uma boa alternativa de estudos de astronomia. Por isso mesmo, estamos sugerindo alguns disponíveis no YouTube. Confira.









                                                                            Como funciona o universo [Estrelas - parte 2]


                                                                            Como funciona o universo [Estrelas - parte 3]





O Nascimento do universo:





quarta-feira, 1 de abril de 2015

Downloads

             Para você que procura bons livros para estudar astronomia, saiba que temos algumas indicações e aí vai a primeira:

         Livro Fascínio do Universo - PDF

            O livro foi lançado pela Odysseus Editora em comemoração ao ano internacional da astronomia. Foi preparado pelos editores Augusto Damineli e João Steiner. Ótima sugestão de leitura.



Sites e blogs para a OBA

             Começamos com a indicação do site oficial da oba. Nele, você encontrará tudo sobre a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. É só clicar nos links abaixo para navegar:



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Kits Didáticos para o Ensino de Ciências


       O Ministério da Educação deve distribuir, a partir de 2015, kits didáticos desenvolvidos por cientistas para estimular o ensino de ciências na Educação Básica. O material desenvolvido por cientistas da USP e UFRJ inclui, por exemplo, microscópios para o estudo de organismos vivos e deve ser um estímulo ao ensino de ciências. A notícia foi divulgada pelo Jornal da Ciência (SBPC). Uma ótima notícia para o ensino no nosso país.

       Cerca de 22 mil escolas de ensino médio devem ser atendidas com a distribuição de pelo menos um milhão de kits, que visam atender ao ano letivo de 2015. Para a preparação dos professores para a utilização dos kits, será montado um programa de educação à distância. Além disso, há possibilidade de que o projeto seja ampliado para atender também o ensino fundamental.

       Assista agora a uma aula sobre ácidos nucleicos que mostra na prática a utilização de um kit didático da experimentoteca.



       Esta aula, desenvolvida por alunos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual da Paraíba, durante as atividades do Estágio em Ensino de Ciências Biológicas (turma 2010.1 período letivo 2014.1), faz uso de um kit também desenvolvido pela USP. Kits didáticos se mostram muito úteis em aula como instrumento de demonstração de experiências ou apresentação de conteúdos, além de permitir que os alunos possam realizar por suas próprias mãos e mentes as experiências e atividades.

      A equipe que desenvolveu o projeto noticiado pela SBPC é formada pelos físicos Vanderlei Bagnato do IFSC da USP, Moyses Nussenzveig, professor aposentado do Instituto de Física da UFRJ e Carlos Henrique de Brito Cruz, do Instituto de Física da Unicamp e diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Beatriz Barbuy, do Instituto de Astronomia da USP, as biólogas Mayana Zatz e Eliana Dessen juntamente com o químico Henrique Toma e o matemático Eduardo Colli (também da USP).

       Esta louvável iniciativa tem um enorme potencial, principalmente quando se trata da falta de estrutura ainda enfrentada por muitas escolas. Entretanto, não podemos subestimar o papel do professor e importância da sua formação. Uma aula realmente atrativa, estimulante, como pode ser realizada através desses kits (que permite inclusive que o aluno inove com base no mesmo), para ser realizada efetivamente, requer compromisso e competência dos professores para que a inovação realmente reflita na sua prática em sala de aula.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Pica-paus: Modos de Vida e Ameaças


Pica-pau
Em plena atividade: essa foto aí, mostra a vista  a
vista privilegiada (vizinhos sendo observados pela janela)!
A morte de um abacateiro próximo à janela da minha casa revelou uma grata surpresa: se por um lado a árvore não dará mais abacates, parece que nela irão nascer filhotes de pica-paus. Já faz um tempo que observo a nidificação dessas adoráveis aves em alguns pontos aqui no sítio, entre o fim do inverno e começo da primavera, mas observá-los da janela da cozinha é muito mais agradável. Por outro lado, isto me traz à mente dois pontos importantes: primeiro, é mais uma evidência do quanto o desmatamento pode afetar essas aves, não só por falda de alimento, mas porque os pica-paus precisam de árvores velhas (vivas ou mortas) para a nidificação. A outra questão é ainda mais preocupante: será que se estas aves estão se aproximando tanto das habitações humanas já é um reflexo da falta de nicho e habitat nas matas?

Ornitologia, ou seja, o estudo de aves, não é a minha especialidade, mas observo aves desde pequeno e de certa forma tenho sempre feito um pouco de “birdwaching”. A cor vermelha sobre a cabeça indica se tratar de um macho (vermelho geralmente sinaliza virilidade nas aves com dimorfismo sexual), e talvez, esse ninho não seja ainda definitivo, já que algumas aves fazem ninhos que acabam não sendo utilizados – o tempo dirá, mas pela frequência com que esses aí (sim são dois: um com penacho vermelho na cabeça e outro sem) visitam e trabalham no ninho, em breve, teremos filhotes aparecendo.

Vejam só, nosso agradável vizinho, sendo observado e percebendo isto. Foto: Janaína Araújo


Bem, vamos entender por que devemos nos preocupar com eles: os pica-paus são conhecidos por terem o hábito de perfurar, com seu bico e crânio belamente adaptados, os ramos secos de árvores dentro dos quais há larvas de insetos se desenvolvendo, as quais constituem seu alimento. Para encontrá-las, essas aves comumente se valem de boa audição e assim que acham seu alimento, começam com seu “toc-toc” característico, perfurando a madeira e capturando as larvas. Encontrar alimento não é o mais difícil, porque mesmo as árvores menores e até mesmo os arbustos oferecem insetos se desenvolvendo no interior de seus ramos mortos. O problema realmente é que eles nidificam no interior de troncos ou galhos velhos de árvores e por isso necessitam de árvores grandes o suficiente para abrigar uma “família”, o que está se tornando cada vez mais raro, já que com o desmatamento, temos cada vez mais arbustos e menos árvores compondo a vegetação secundária (que ressurge depois do desmatamento).

Os ninhos feitos próximos às habitações humanas, podem ser um sinal ainda mais claro de que está se consumando algo  que já suspeitamos há tempos: a redução da vegetação nativa põe em risco cada vez mais aquelas espécies que necessitam do abrigo das matas para sua manutenção. Muitas aves, mesmo podendo se alimentar em áreas antropizadas ou de vegetação mais perturbada, encontram dificuldade para se reproduzirem na ausência de árvores de grande porte (nessa lista, podemos incluir rapineiras, psitacídeos e os próprios pica-paus), seja por fazerem seus ninhos no interior dos troncos, como os periquitos, papagaios, araras, etc. ou por serem ariscas e geralmente nidificarem em árvores altas (como os gaviões, milhafres, entre outras aves de rapina). Portanto, esses adoráveis vizinhos merecem atenção mais do que especial, pois além de estarem fora de seu habitat natural, o que os deixa mais vulneráveis, podem estar sofrendo pela falta de lugar para reprodução, o que é uma ameaça ainda maior.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Uma Aula de Geologia

O local




Pico do Jabre. Um lugar a 1.197 metros de altitude na Serra de Teixeira, município de Matureia, o ponto mais alto do estado da Paraíba. Local onde a pediplanação traçou a linha entre o Planalto da Borborema e as terras baixas do Sertão e deixou um rastro de inselbergs de resistência. Um belo lugar - diga-se de passagem- que merece que deixemos uma breve descrição para os que ainda não conhecem.


O objetivo

Uma aula de Geologia para alunos dos cursos de Ciências Biológicas e Agroecologia da Universidade Estadual da Paraíba, onde se pudesse visualizar diretamente diversos aspectos dos processos e elementos formadores da paisagem, bem como a própria paisagem resultante da história natural da região. Foi perfeitamente cumprido: não só pela tranquilidade e oportunidades de aprendizado, mas também porque poucas aulas nos deixam tão compenetrados quando as desse tipo.

Aula de campo regida pelo professor Ivanildo Costa para estudantes de
Biologia e Agroecologia da UEPB.



Mas primeiro, pernoitar.

A viagem de ônibus de Campina Grande até Matureia (cerca de três horas) foi tranquila, mas nem por isso deixaria de pedir um bom descanso. Não diria que estudantes ansiosos para uma aula de campo e que venham de turmas diferentes sejam prudentes para dormir cedo ao invés de bater papo, mas o lugar era agradável (com uma aparência rústica para dar um toque especial – Casarão do Jabre era o nome do hotel onde ficamos). No interior do casarão também funciona um museu onde coabitam armas arcaicas e peças sacras. 

Entre jogos de futebol na televisão, um jantar e a apresentação de músicos locais, boas conversas entre amigos, professor e alunos... No fim, descansar um pouco para a subida na manhã seguinte - e ela chegou rapidinho!



Acordar cedo nem sempre é a atividade mais atrativa do mundo, mas lá estávamos nós (ainda que uns antes dos outros, claro), prontos para a subida no Pico do Jabre.

Subindo...






Estar animado por sentir a brisa às seis da manhã de um dia frio é algo que só uma boa aventura justifica. Mesmo com a gente caminhando em aclive considerável, os ventos se faziam sentir no começo e no fim da subida (o calor era mais forte a meio caminho andado). E que subida! Uma paisagem a ser lembrada por um bom tempo, onde o nevoeiro disputava com as árvores altas e repletas de epífitas, qual seria a melhor cortina a reservar do nosso olhar a bela surpresa que nos aguardava no topo, após todas aquelas curvas. 



O Pico


O mosaico de mata serrana e afloramentos rochosos avistados dos quase 1.200 m de altitude, com a região sertaneja servindo de plano de fundo, antes de qualquer processo mental mais elaborado, antes de qualquer discussão teórica ou explicação científica, já seria uma perfeita recompensa ao esforço da subida. Mas como se não bastasse, nossa aula de Geologia realizada em campo preencheu de significados aquilo que já era admirável por simples aparência.


Observações

         As regiões mais elevadas, como as serras que encontramos no Planalto da Borborema, geralmente representam lugares relativamente mais úmidos, onde florestas conspícuas podem ser encontradas; elas predominam na Zona da Mata, entre o litoral e a caatinga, mas podemos encontrar formações florestais bem mais no interior, em altitudes geralmente superiores aos 500m. Tais florestas são bastante diversificadas em sua composição e são conhecidas por diferentes denominações como Matas Serranas, Mata Brejeira, Brejos de Altitude. 
Os diplópodes, assim como as briófitas (imagem abaixo), são organismos que ocorrem preferencialmente em ambientes úmidos. Os diplópodes por exigirem uma certa quantidade de umidade no ar para a respiração e evitar a desidratação; já as briófitas, são plantas que não possuem tecidos especializados na condução de água e nutrientes. Ambos foram encontrados com muita frequência no Pico do Jabre, sinalizando a existência de uma umidade considerável no local.

Os tufos verde-escuro sobre este tronco são musgos (Bryophyta). A planta um pouco maior em primeiro plano é uma pteridófita e as manchas esbranquiçadas no tronco são líquens folhosos.
De acordo com Rocha & Agra (2002), a vegetação encontrada no Pico do Jabre é subcaducifólia e mescla elementos florísticos das matas úmidas e caatingas. Andrade-Lima (1981), também observou a relação entre as maiores altitudes e formação de florestas no interior do Nordeste. A rocha aflora em diversos pontos, permitindo que sejam visualizadas a rocha do pico (sienito) e alguns processos e acidentes em sua superfície, permitindo a constatação de alguns fenômenos que se mostram na superfície.
O pequeno círculo claro formado por material diferente da rocha
circundante é um xenólito.

Sulcos na superfície rochosa formados por intemperismo químico.

A descida:



Já disse o grande Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena se a alma não é pequena". Não diria que foi exatamente fácil largar o conforto de nossas casas, dedicar o nosso fim de semana e sacrificar horas de sono que são tão preciosas em tempos de estudo, mas fomos sabendo do cansaço, responsabilidades e coragem exigidos para uma experiência como essa. Em contrapartida, o desafio serviu mais para renovar as baterias do que nos desgastar:
não há como voltar sem um gás novo de lá!

Uma vez terminada a aula, ainda tínhamos um longo desafio: a volta para casa, começando pela descida que era igualmente cansativa, embora trazendo para os músculos anteriores da perna a força exigida do gastrocnêmio para a subida. Com um misto de saudade, alegria e uma vontade grande voltar lá em outra oportunidade, voltamos bastante satisfeitos e só um pouquinho cansados.

Professor Ivanildo Costa (de boné azul, ao centro) e estudantes de graduação no Pico do Jabre, sobre o Planalto da Borborema, a 1.197 m de altitude (ao fundo, a região do Sertão Nordestino). 15 de Junho de 2014.


Literatura citada:

ANDRADE-LIMA, D. D. E. The caatingas dominium. Rev. Brasil. Bot, v. 4, n. 2, p. 149-163, 1981.

ROCHA, E. A.; AGRA, Maria de Fátima. Flora of the Pico do Jabre, Paraíba, Brazil: Cactaceae juss. Act. Bot. Bras., v. 16, n. 1, p. 15-21, 2002.

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